Canguru é citada como referência no reaproveitamento de apara de processo na revista Gestão & Negócios

28 de Junho, 2018

Na hora e no lugar certo

A Canguru Plásticos é uma das empresas que souberam aproveitar oportunidade. Ela existe desde 1970 e surgiu trazendo soluções inovadoras para a época no que diz respeito à segurança, conveniência e proteção nas embalagens. Os materiais são classificados, ensacados, pesados e organizados em caixas, conforme a sua família. Filmes de polietileno sem impressão e laminação, por exemplo são encaminhados para a área de reciclagem, para serem transformados em paletes e posteriormente vendidos.

Demais materiais, como filmes impressos, laminados, papéis, sucata de metal e baldes plásticos, são direcionados para venda externa sem sofrer qualquer processo. “As tintas à base de solvente são reaproveitadas, gerando uma nova cor, sendo que partes não aproveitadas são recolhidas e transformadas em solvente para limpeza com ajuda de empresas parceiras”, detalha o gerente de planta da empresa, Ricardo W. Martins.

Observe que alguns materiais são reutilizados sem que suas propriedades originais sejam alteradas. Esse processo é uma das possibilidades dentro da reciclagem e se chama upcycling. Mas quais as vantagens que ele traz?

Primeiro, ele não passa por quaisquer processos físicos ou químicos, otimizando produção e reduzindo custos. Além disso ele permite soltar a criatividade e trazer a vida peças exclusivas e com uma proposta artesanal que pode ser o grande diferencial na hora de elevar o preço para o consumidor final.

Porém, torna-se um desafio quando o objetivo da empresa é realizar sua criação na base dos modelos tradicionais, ou seja, produtos em alta escala. “Em um modelo tradicional, a escala e o padrão são mandatórios para ter uma maior rentabilidade. O outro desafio está relacionado à criatividade e aos diferenciais de design para cada produto”, completa Nakagawa.

Passo a passo

A primeira coisa é ser criativo e entender que é possível trazer beleza e utilidade efetiva a materiais que seriam descartados. Em seguida, antes de entrar de cabeça nos processos de reaproveitamento, é importante atentar para a coleta. Os coletores e destinadores devem sempre ter licença ambiental para a realização de suas respectivas atividades, como explica Ricardo W. Martins. “Além disso, sendo necessário caminhão para o transporte dessa matéria-prima aqui na empresa, eles passam por um checklist para verificação de fumaça preta e vazamento de óleo”, completa.

Os materiais também precisam de um cuidado especial. Faça a separação por família e embale de maneira a evitar possíveis contaminações.

O apelo ecológico cada vez mais valorizado pelos clientes, assim como as demandas da própria sociedade, faz com que o reaproveitamento, a prevenção e a redução de geração de resíduos sejam intrínsecos no processo produtivo da empresa de Martins. Ele também conta que o upcycling oferece oportunidades principalmente a startups.

Apesar de não haver uma pesquisa específica sobre o tema, os tipos de materiais e maneiras de manuseio dentro desse contexto acabam trazendo mais oportunidades de negócio a áreas como moda, design, decoração e mobiliário. O que antes iria direto para o lixo passa pela “gourmetização” e ganha um ar de exclusividade.

Mas não é apenas esse ponto que faz do procedimento uma oportunidade de empreendimento. Os consumidores estão cada vez mais conscientes e dando preferência a esse tipo de consumo. “Segundo uma pesquisa da Nielsen de 2015, realizada em 60 países com 30 mil pessoas, 66% delas pagariam mais por produtos de empresas mais socialmente e ambientalmente responsáveis”, conta Marcus Nakagawa.

Hoje, a Europa já conta com shoppings e lojas específicos sobre o tema, tornando o mercado mais maduro no exterior. Porém, os brasileiros estão se reeducando nesse sentido e se adaptando a esse tipo de negócio.

Fonte: Revista Gestão & Negócios. Clique aqui para ler a matéria na íntegra.